quarta-feira, dezembro 06, 2006

It Isn't.

Tudo está suspenso, tudo está claro, agora tudo respira. A superfície dá as caras. Tudo está no topo, tudo faz sentido, tudo compilado, volume único, tudo muito bem encadernado. Acordado, os olhos, arregalados, olham mas nada vêem. Tudo está evidente, tudo na sua mente, facilmente, vem e se esvai. Tudo é muito mais, tudo não é os suficiente, tudo dói, tudo perturba. A confusão turva a clareza de antes, um suspiro, uma inquietação sem fim. Tudo grita, se esparrama, lambuza os miolos. Tudo fede, tudo é ânsia de vômito, é esgoto imundo e doentio. Tudo é utopia, tudo são flores, tudo são cores, tudo é fluido, tudo é vôo de borboleta no jardim. Tuuuudo, tudo, tudo. A noite acaba, o dia, sonolento, acorda a vida que se pôs a roncar. A vida, a noite, o sono, os talheres na mesa, o café esfriando na xícara. Tudo é motivo, tudo é castigo, tudo jazigo. Merda, tudo vira bosta, tudo desintegra, desaparece, vai-se embora. Tudo cansa, no fim, tudo alcança. Cessa o sol, cessa a música, cesa o motor, o movimento das roupas balançando no varal. A água cai sem cessar e o negro de tudo protege do temporal. Tudo é navalha, tudo é pedra, mineral, abissal. Tudo é sombrio, tudo é vazio, tudo é nada.

Imagem: Elliott Golden .... http://www.clandestina.com

Sonido: It's No Good - Depeche Mode (Speedy J Remix)


Um comentário:

Denise disse...

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A única certeza:

Tudo é nada.



Só o necessário.



=*
[Boas noites bem dormidas à você]
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