quinta-feira, março 01, 2007

O "Escrevedor" de Cartas.

Ah, moço. Eu queria que você escrevesse que eu gosto muito dele. Eu amo ele demais. Quando ele sorri o mundo vira um, uma casa da avó. Ele, um molequinho lindo, esperando, na beira do forno, o biscoito ficar pronto. Quando ele sorri eu rio junto, sempre. Ele tem uns silêncios longos que me dizem tanta coisa, tanta coisa. Uns olhinhos assim miúdos em que cabem um mar sem fim. Eu sei na hora o que ele quer. Eu sempre soube. Adivinho. De pirraça é que, às vezes, não faço o que ele quer, só de pirraça. E enfrento mais silêncios graves, a boca num muxoxo surdo, o corpo todo se contendo. Mas eu me derreto, moço, é no abraço dele, aqueles dois brações cabeludos que me guardam inteirinha. Quando a boca quer me arrancar um pedaço, a barba dele roçando meu cangote. Aí eu viro os olhos, sambo pela casa inteira. Você gosta de samba, moço? Ele adora. Aprendi a gostar com ele, a dar valor. Sambo direto pra ele. Ele é que não gosta muito de sambar pra mim, diz que não sabe. Ah, num dia assim como esse, chovendo pra dedéu eu queria era mandar tudo às favas e ir deitar ao lado dele. Meu pretinho. Minha vida é com ele, moço, pode escrever aí. Quero passar o resto do tempo vendo aquela cara sorrir e chorar pra mim. Ele é meu homem. É meu. É.
E eu já não sei mais o que é que eu faço pra matar essa saudade danada. Escreve aí pra ele voltar.
Pede pra ele voltar, moço. Bota assim no final: "Eu te amo, assinado Maria". E coloca essa foto aqui, sim, essa que eu tô dando a língua, hahaha. Ele diz que gosta. Ai, ai.


Obrigado,moço. Quanto é?! Dois? Tá aqui, ó. Brigado.

3 comentários:

LC disse...

Quem não gostaria de ter uma Maria na vida? Eu tenho.

Ju disse...

Massa esse texto, só daria meu reino para saber quem seria o destinatário de Maria.

Tane disse...

atualize ae, po.