sexta-feira, agosto 25, 2006

Sobre Puns Presos e Afins

Presos. As flatulências, os odores, o hálito, o olhar, a palavra, as vontades. Escondidos. As espinhas, os pêlos, os fios de cabelo branco, a idade, as verdades, a essência.
Vivemos uma época em que é mais valioso parecer do que ser. A época em que a vaidade é virtude essencial e que a imagem vale mais que o todo.
Em pleno século XXI, o ser humano, depois de tantas conquistas, inventa de negar os aspectos “esteticamente desagradáveis” dele e criar padrões de beleza cada vez mais longínquos da realidade.
É um tal de chapinha progressiva, depilação a laser, relaxamento capilar, porcelana na dentadura, encurvamento dos cílios, lipoaspiração, metrossexualismos em geral, drenagem linfática, entre outras frescuras.
Puxa daqui, repuxa dali, arranca aqui, penteia cá, balança em baixo, endurece em cima, aumenta, diminui. O corpo é só uma tela. E não é só com tinta que o pintamos.
As boas maneiras se tornaram quase que uma ditadura, uma mistura de Bíblia e Corão para “elevação” social e adestramento dos instintos. Tenho noção de que isso não é novidade, mas temo que estejamos perdendo o fio da meada. Daqui a uns tempos, mudaremos de nomenclatura e, quem sabe, de espécie de tão diferentes que estamos diante do Homo Sapiens “roots” e parece que fazemos questão que a história tome esses rumos. É a evolução, meu(minha) caro(a)!
Educação e boas maneiras é muito mais que saber se comportar à mesa de um restaurante chique. É questão de massa encefálica (o que é isso? Um novo creme anti-rugas?). E não é depilando a barriga tanquinho, fazendo permanente, malhando 5 horas por dia que vamos ser pessoas melhores. O buraco é bem mais embaixo, e não há Ivo Pitanguy que o traga um pouquinho para cima.
É bom lembrar que somos humanos e que temos que rir, falar alto e de boca cheia, beber até cair quando o filho passa no vestibular, andar nu pela casa, cagar (e o fedor invadir o resto da casa), cortar os cabelos quando estiverem caindo no olho, puxar um cabelinho do prato e continuar a refeição. Temos que lembrar que quem manda nos nossos olhos, pêlos, gases, estrias, gordurinhas, culotes, espinhas, axilas, poros, suor, excrementos é a massa cinzenta. Sim, aquela coisa gosmenta (esteticamente desagradável) que está em nossa valiosa caixa cerebral, cheia de cabelos (hum!).
Deixa eu ir que já escrevi besteira demais. Além do mais, tenho hora marcada p/ fazer as unhas!

Imagem: Rubens LP .... www.clandestina.com

Sonido: “You’re Pretty Good Looking” – The White Stripes

4 comentários:

Luciana disse...

Eu sou um ser considerado pouco desenvolvido ou apenas uma criaturinha sem dinheiro?!?
Acho que as 2 opções...

Bom te ver de volta...
Gostei da tua auto-definição

xêro!!

Denise disse...

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Ora, ora, muito bem, seu moço escrevinhador! O bom filho à casa torna! Sabe que sou sua fã de escritas, sei o quanto são bem colocadas e algumas mensagens subliminares deixadas por vezes.

Gosto das [suas] palavras, escritas, rabiscadas, faladas, declamadas, olhadas, subentendidas.

E, a gente já conversou tanto sobre a parte estética que vou me abster. Mas aqui, tive muitos exemplos disso. Muitos.

Vale salientar que além da estética perfeita, busca-se também um "estilo", casual, natural, e igualmente fabricado. Né?

Então, sejamos nós esses seres estranhos e por vezes criticados e incompreendidos, que se vira com 10 quilos a mais ou a menos, que pouco se importa com o corte de cabelo até que ele incomode, que arrota, peida, caga e vomita na frente do outro [mas quero deixar claro que não gosto de odores ruins] e ainda cuida um do outro nnesse3s momentos solenes.

Mundiça é assim e tal. Aprendemos e somos felizes, né não?

Então, agora deixa eu ir que não fiz as unhas mas vou sair assim mesmo, hoho.

Aham.

E bem vindo de volta, Xúbz!
=*

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Cabeça disse...

Um "c'est la vie" serve?!
Bisous.

Christian disse...

Ninguem mexe na minha monocelha! Ora!